A mãe do Wi-Fi

Se você não está usando um celular nesse momento para ler este artigo, certamento o segurou há poucos instantes e/ou o terá em mãos em breve.

E o que menos fazemos com o (telefone) celular, hoje chamado de smartphone (telefone "esperto"), são ligações telefônicas. O usamos mais para acessar e enviar informações pela internet, sejam essas informações texto, imagens ou sons. E em grande, se não a maior, parte do tempo estamos fazendo isso usando uma rede sem fio, ou Wi-Fi (Wireless Fidelity).

Você já agradeceu a Hedy Lamarr por isso ser possível?

O que ninguém sabe é que devemos o fato de termos essa tecnologia hoje a uma jovem, linda e talentosa atriz de Hollywood, que também era inventora.

Nascida em 9 de novembro de 1914, em Viena, Áustria, filha de pais judeus (a mãe era pianista e o pai diretor de banco), Hedy Lammar (1914-2000) foi registrada com o nome de Hedwig Eva Marie Kiesler, e recebeu uma educação de alta qualidade, pois seus pais acreditavam que isso era essencial.

A carreira de atriz de Hedy decolou com o (polêmico para a época) filme Êxtase, de 1933, no qual protagonizou a primeira cena de orgasmo do cinema. Seu marido na época até tentou destruir todas as cópias do filme, felizmente, sem sucesso.

Ainda em 1933, Hedy se casou novamente com o homem mais rico e poderoso da Áustria. Um fabricante de armas que eram fornecidas para as elites facistas e nazistas. Seu marido, Mandl, era muito controlador. A mantia em cativeiro e a levava a reuniões nazistas.

Em 1937, vendendo suas jóias, Hedy fugiu da Áustria, e do casamento abusivo. Em 1953 foi naturalizada americana.

Mas vamos falar da faceta inventora de Hedy.

Apesar do reconhecido e incontestável talento como atriz, a educação clássica que recebeu concedeu a Hedy muito conhecimento.

Hedy estava sempre fazendo estudos. Desde perfil de asas de aviões a frequências de rádio.

Durante a segunda guerra mundial, em parceria com o compositor e pianista, e também inventor, George Antheil, Hedy criou um sofisticado aparelho para despistar radares nazistas.

A ideia surgiu durante um dueto com Antheil, no qual ela tinha que repetir em outra escala as notas que o parceiro tocava ao piano. Nesse momento ela percebeu que duas "pessoas" poderiam conversar mudando de frequência, desde que as duas o fizessem simultaneamente.

Hedy propôs ao departamento de guerra norte-americano que o uso de frequência de rádio para controlar o curso dos mísseis que eram lançados contra frotas inimigas fosse feito mudando sua frequência, impedindo assim que fossem detectadas e sofressem interferência, o que as anulariam.

Os sinais enviados para o torpedo mudariam "aleatoriamente" para diferentes frequências, o que ficou conhecido como comunicação de espectro espalhado por salto de frequência (FH).

A invenção foi submetida à apreciação do Conselho Nacional de Inventores, que um ano depois, assinado pelo presidente do conselho, emitiu um parecer à marinha norte americana recomendando o uso do sistema em seus torpedos.

Pouco tempo depois, em 7 de dezembro de 1941, a base de Pearl Harbor foi atacada, o que definitivamente colocou os EUA na guerra.

Logo os torpedos americanos se mostraram um fracasso, devido à sua falta de precisão.

Isso logo animou os inventores, que aguardavam uma resposta da marinha e agora tinham certeza de que seu sistema seria adotado.

Quando a resposta chegou foi uma decepção: em vez de apostar no sistema desenvolvido, os militares optaram por tentar fazer funcionar os torpedos antigos.

Hedy e Antheil chegaram a ir a Washington na tentativa de convencer os militares mas não obtiveram êxito.

A tecnoloigia proposta por Hedy e Antheil só passou a ser utilizada em 1962, na conhecida "Crise dos Mísseis", mas já não era exclusividade militar e hoje é a base de várias outras tecnologias, como GPS, Wi-Fi e bluetooth.

Um pequeno ajuste tecnológico.

Apesar de Hedy Lamarr ser conhecida como "Mãe do Wi-Fi", a história é ligeiramente diferente.

Lamarr e Antheil patentearam sua invenção em 1942, mas ela foi classificada (secreta) até 1981 e, durante esse tempo, usada apenas em tecnologia militar, como sonar ou comunicações por satélite.

Antes de a patente ser desclassificada, outras tecnologias de espectro de propagação foram criadas, como a frequência de espectro de sequência direta (DS), que espalha o sinal por uma faixa de frequências, ao invés de alternar entre elas.

Quando os padrões de Wi-Fi foram definidos em 1997 suportava tanto o sistema FH (de Hedy e Antheil) como o DS, mas o DS foi rapidamente adotado como padrão, e não há atualmente Wi-Fi que utilize o padrão FH. 

No entanto, o padrão Bluetooth, que é usado para conectar dispositivos a pequenas distâncias, usa FH, e está claro que a invenção de Lamarr e Antheil teve um grande impacto no curso da tecnologia de comunicação.

Então, se o padrão FH tivesse sido adotado pelo mercado nos anos 40, certamente o título de "Mãe do Wi-Fi" faria sentido, mas seria mais correto dizer que Hedy Lamarr é a "Mãe do Bluetooth".

 

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